{"id":265,"date":"2024-10-02T09:56:20","date_gmt":"2024-10-02T12:56:20","guid":{"rendered":"http:\/\/divulgacaodenoticias.com.br\/?p=265"},"modified":"2024-10-02T09:56:20","modified_gmt":"2024-10-02T12:56:20","slug":"programas-educacionais-sao-estrategicos-para-autoestima-de-estudantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/divulgacaodenoticias.com.br\/index.php\/2024\/10\/02\/programas-educacionais-sao-estrategicos-para-autoestima-de-estudantes\/","title":{"rendered":"Programas educacionais s\u00e3o estrat\u00e9gicos para autoestima de estudantes"},"content":{"rendered":"<p>\u201cVoc\u00ea que est\u00e1 com dificuldade de estudar, pe\u00e7a ajuda a algu\u00e9m, que algu\u00e9m pode te ajudar. Se tiver estudo, voc\u00ea tem tudo\u201d. A frase \u00e9 de Ygor, 15 anos de idade. Ele \u00e9 de Aracaju e estuda na Escola Estadual Poeta Garcia Rosa, onde faz parte do Programa Sergipe na Idade Certa (Prosic).<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1613529&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1613529&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>O programa \u00e9 voltado para corrigir a distor\u00e7\u00e3o idade-s\u00e9rie em um estado que chegou a ocupar a primeira posi\u00e7\u00e3o nacional na porcentagem de estudantes que est\u00e3o fora da idade considerada correta para os estudos. Ygor \u00e9 um desses estudantes. E foi no programa que ele superou uma grande defasagem: n\u00e3o sabia ler.<\/p>\n<p>\u201cQuando eu entrei aqui eu n\u00e3o sabia de nada, eu n\u00e3o tinha amigos, as professoras come\u00e7aram a me ensinar a ler. Agora eu estou conseguindo ler e escrever, que eu n\u00e3o sabia direito\u201d, conta em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/C7w8tP9CeOo\/?igsh=ZmR2aXRodmxpYjhp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">v\u00eddeo do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef)<\/a>, parceiro no programa.<\/p>\n<p>Garantir que os estudantes sigam o fluxo escolar, n\u00e3o reprovem e aprendam o que \u00e9 esperado para cada etapa de ensino \u00e9 uma das formas de garantir que todos concluam os estudos, que como afirmou Yago, s\u00e3o t\u00e3o necess\u00e1rios para a inser\u00e7\u00e3o na sociedade.<\/p>\n<p>No Brasil, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria dos 4 aos 17 anos de idade. Os anos finais do ensino fundamental, etapa que vai do 6\u00ba ao 9\u00ba ano, s\u00e3o considerados cruciais. E \u00e9 cursada, idealmente, entre 11 e 14 anos. Estudos mostram que \u00e9 uma etapa na qual os estudantes enfrentam grandes mudan\u00e7as na pr\u00f3pria vida, com a entrada na adolesc\u00eancia. Tamb\u00e9m, geralmente, mudam-se para escolas maiores e lidam com aprendizagens mais complexas. Trata-se de um per\u00edodo considerado determinante para que as pessoas concluam os estudos, at\u00e9 o final do ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>O abandono dos estudos e a evas\u00e3o escolar dificultam inclusive a inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. No Brasil, em 2023, entre os jovens de 15 a 29 anos de idade, cerca de 10 milh\u00f5es, o equivalente a 22%, n\u00e3o estudavam e n\u00e3o trabalhavam. Cerca de 4 milh\u00f5es de jovens n\u00e3o estudavam, n\u00e3o trabalhavam e n\u00e3o haviam conclu\u00eddo a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica &#8211; etapa que vai da educa\u00e7\u00e3o infantil ao ensino m\u00e9dio. Os dados foram compilados pela\u00a0<a href=\"https:\/\/juventudesetrabalho.qedu.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">plataforma QEdu Juventudes e Trabalho<\/a>, a partir de pesquisas oficiais.<\/p>\n<h2>Forma\u00e7\u00e3o intensiva<\/h2>\n<p>Em Sergipe, o Prosic acelera os estudos, para que os estudantes n\u00e3o fiquem t\u00e3o atrasados. No fluxo regular, demoraria 4 anos para concluir os anos finais do ensino fundamental. Pelo Prosic, isso \u00e9 feito de forma intensiva, por 2 anos. Yago est\u00e1 agora no chamado fluxo 4, cursando juntos o 8\u00ba e o 9\u00ba anos.<\/p>\n<p>\u201cNosso estado tinha uma das maiores quantidade de meninos em idade incorreta na sala de aula. Esse n\u00famero geral era de 39,4%. E para voc\u00ea ter ideia, o ano mais cr\u00edtico, que \u00e9 o 6\u00ba, a gente estava com 48,8% de distor\u00e7\u00e3o, e isso acionou um alerta\u201d, explica o professor Everton Pessan, que trabalha com a forma\u00e7\u00e3o em l\u00edngua portuguesa dos professores que ir\u00e3o atuar no Prosic.<\/p>\n<p>\u201cO programa surgiu para tentar mudar esses indicadores. Desde 2019, j\u00e1 passaram por n\u00f3s cerca de 42 mil estudantes, e a nossa distor\u00e7\u00e3o geral caiu de 39,4% para 22,5%\u201d, disse o professor.<\/p>\n<p>A grande vantagem do Prosic para os alunos, explica Pessan, \u00e9 acabar os estudos em menos tempo. \u201cAcaba mais cedo, n\u00e9? Ele adianta os estudos e o que ele quiser fazer l\u00e1 na frente. O incentivo \u00e9 justamente adiantar os seus estudos\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>As aulas s\u00e3o intensivas e n\u00e3o s\u00e3o como as do ensino regular. Os estudantes recebem uma aten\u00e7\u00e3o especial, de acordo com a professora de l\u00edngua portuguesa Elaysa Lima, da Escola Estadual Poeta Garcia Rosa. \u201cO estudante j\u00e1 se sente exclu\u00eddo ali daquele grupo, j\u00e1 tem aquele aquele receio de participar das atividades. Muitos sentem que n\u00e3o conseguem, que s\u00e3o incapazes. E a\u00ed, essas turmas s\u00e3o importantes. A gente faz o trabalho tamb\u00e9m de autoestima desses alunos, para que eles saibam que podem, que s\u00e3o capazes. O professor, em uma turma regular, n\u00e3o tem como dar aten\u00e7\u00e3o a todos os alunos que est\u00e3o em um n\u00edvel de aprendizagem diferente. A turma do Prosic ainda tem a vantagem de ter um n\u00famero menor de alunos, o que tamb\u00e9m facilita\u201d, explica Elaysa.<\/p>\n<p>O professor Pessan ressalta que esse cuidado com a autoestima \u00e9 bastante trabalhado na forma\u00e7\u00e3o dos professores. \u201cUma coisa que eu falo aos professores \u00e9 que nem todo mundo que est\u00e1 reprovando ou j\u00e1 reprovou, necessariamente tem problemas de aprendizagem. Eu era um menino muito tranquilo em rela\u00e7\u00e3o aos estudos, mas foi o ano que meus pais se separaram, a gente mudou de cidade, e acabei reprovando. A\u00ed ficou um caos na minha cabe\u00e7a. A gente sabe que dentro da bolha social onde eles [estudantes] vivem, de fato acontecem muitas coisas. Ent\u00e3o, o que a gente fala para esses professores \u00e9 n\u00e3o olhar esse menino com rep\u00fadio, como se fosse fracassar. Se n\u00e3o for a escola, quem que vai abrir as portas para ele? A gente tem que pensar dessa maneira\u201d.<\/p>\n<h2>Escola das adolesc\u00eancias<\/h2>\n<p>Em julho deste ano, o governo federal lan\u00e7ou o Programa de Fortalecimento para os Anos Finais do Ensino Fundamental &#8211; Programa Escola das Adolesc\u00eancias, que tem como objetivo construir uma proposta para a etapa que se conecte com as diversas formas de viver a adolesc\u00eancia no Brasil, promova um espa\u00e7o acolhedor e impulsione a qualidade social da educa\u00e7\u00e3o, melhorando o acesso, o progresso e o desenvolvimento integral dos estudantes.<\/p>\n<p>O programa re\u00fane esfor\u00e7os da Uni\u00e3o, dos estados, do Distrito Federal e dos munic\u00edpios e prev\u00ea apoio t\u00e9cnico-pedag\u00f3gico e financeiro, produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de guias tem\u00e1ticos sobre os anos finais e incentivos financeiros a escolas priorizadas segundo crit\u00e9rios socioecon\u00f4micos e \u00e9tnico-raciais.<\/p>\n<p>Em setembro foi realizado o\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2024-09\/brasil-discute-estrategias-para-melhorar-educacao-para-adolescencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Semin\u00e1rio Internacional Construindo uma Escola para as Adolesc\u00eancias<\/a>, para discutir como o Brasil e outros pa\u00edses est\u00e3o lidando com a garantia de uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade e quais as principais estrat\u00e9gias para combater a reprova\u00e7\u00e3o e o abandono escolar. O Prosic estava entre as iniciativas apresentadas.<\/p>\n<h2>Escuta<\/h2>\n<p>Outra a\u00e7\u00e3o realizada no \u00e2mbito do programa foi a Semana da Escuta das Adolesc\u00eancias nas Escolas realizada em maio, quando os estudantes responderam a question\u00e1rios sobre o que pensam sobre a escola, as aulas, os funcion\u00e1rios e os colegas. Ao todo, 2,2 milh\u00f5es de estudantes de 20 mil escolas participaram. Uma das escolas participantes foi, no Rio de Janeiro, a Escola Municipal Nilo Pe\u00e7anha.<\/p>\n<p>A escola tem um diferencial. Foi transformada em um dos Gin\u00e1sio Experimental Tecnol\u00f3gico (GET) da prefeitura da cidade. Trata-se de um modelo de ensino que usa a tecnologia para estimular a participa\u00e7\u00e3o dos alunos e o desenvolvimento de habilidades em diversas \u00e1reas. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente tornar a escola um ambiente mais atrativo e mais conectado \u00e0 vida dos estudantes.<\/p>\n<p>O professor articulador de projetos do GET Antonio Miranda explica que tanto a escola quanto os alunos ainda est\u00e3o se adaptando, mas que os resultados t\u00eam sido bons. Um deles \u00e9 justamente uma maior proximidade e escuta constante dos alunos. \u201cTudo \u00e9 chato para eles, chat\u00e3o como eles falam\u201d, brinca. Ent\u00e3o,\u00a0 uma das estrat\u00e9gias \u00e9 permitir um maior protagonismo deles ou, como o professor prefere denominar, uma autoria.<\/p>\n<p>\u201cUm exemplo. A gente tem agora em outubro na nossa feira de ci\u00eancias. Um grupo do 7\u00ba ano vai trabalhar com fungos. Um aluno me trouxe uma mat\u00e9ria que eu desconhecia completamente, que s\u00e3o fungos que se alimentam de radia\u00e7\u00e3o. Foi uma pesquisa feita por ele, no laborat\u00f3rio. Ele foi associando as ideias e buscando por conta pr\u00f3pria\u201d, explicou, acrescentando que \u00e9 esse tipo de aprendizagem que o modelo de ensino tenta estimular.<\/p>\n<p>Para Marcelle Muniz, 13 anos de idade, estudante do 8\u00ba ano, essa \u00e9 justamente uma das diferen\u00e7as da Escola Municipal Nilo Pe\u00e7anha em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 antiga escola.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0s vezes, o importante \u00e9 voc\u00ea aprender. Ent\u00e3o, \u00e0s vezes, o professor tem que\u00a0 se adaptar a esse aluno, que tem mais dificuldade. E como \u00e9 que vai saber a dificuldade que o aluno tem se n\u00e3o conversar? Por isso \u00e9 importante ter essa troca. Na minha antiga escola, os professores e os alunos n\u00e3o tinham muito essa troca, a maioria dos alunos tinha medo. Inclusive quando eu cheguei aqui nessa escola, eu realmente fiquei com medo\u201d, disse a estudante Marcelle.<\/p>\n<p>Aos poucos, ela foi perdendo o medo. \u201cAt\u00e9 mesmo antes dessa Escuta dos Adolescentes eu percebi que os professores realmente conversam, tem uma troca boa, e isso fez eu me sentir muito mais confort\u00e1vel at\u00e9 mesmo para perguntar, porque eu acho que \u00e9 importante na aprendizagem voc\u00ea perguntar, que a\u00ed sim, voc\u00ea aprende\u201d.<\/p>\n<p>Os colegas de Marcelle concordam. \u201cTer essa acolhida dos alunos eu acho importante, porque quando n\u00e3o se sente ouvido ou com direito de interagir com o professor, isso pode acabar desmotivando o aluno a estudar\u201d, disse o estudante do 9\u00ba ano, Isaac Filipe, 15 anos de idade.<\/p>\n<p>\u201cA escuta \u00e9 importante porque a gente pode conversar com os professores, com a diretoria, para falar o que a gente t\u00e1 sentindo da escola\u201d, disse o estudante do 8\u00ba ano, Pedro Ara\u00fajo, 13 anos de idade. \u201cTem gente que aprende de um jeito. Tem gente que aprende de outro. \u00c9 bom escutar por causa disso\u201d, complementa a estudante do 9\u00ba ano, J\u00e9ssica Maysa Sousa, 15 anos de idade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cVoc\u00ea que est\u00e1 com dificuldade de estudar, pe\u00e7a ajuda a algu\u00e9m, que algu\u00e9m pode te ajudar. 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